Imprensa


Veja, 11 de julho de 2009

Veja, 5 de dezembro de 2009

(Portanto, menos de cinco meses depois de a Editora Abril quase ter fechado um contrato de meio milhão de reais com José Roberto Arruda, publicado no Diário Oficial do DF quatro dias depois da inacreditável entrevista acima, para garantir (!) a distribuição de exemplares da revista nas escolas públicas do Distrito Federal)

Poder, dinheiro, corrupção e…

O governador de Brasília estrela um dos mais repugnantes espetáculos de corrupção já vistos na história. Sem nenhum pudor, políticos foram filmados recebendo dinheiro de propina em meias, cuecas, bolsas e até via Correios. Depois, ainda  rezam, agradecendo a Deus a graça alcançada

Em 28 de novembro de 1974, sob as asas da imensa generosidade e afeto de Elton John, o beatle Jonh Lennon subiu a um palco pela última vez, no memorável show do Madison Square Garden, em Nova York. Daquele momento exuberante fixou-se como marca, eterna marca, a felicidade de ambos cantando uma versão meio reggae de “Lucy in the sky with diamonds”, aliás, um dos hinos da minha infância, canção que conheci primeiro pela versão de Elton John.

Eu deveria estar mais feliz e menos nostálgico, mas nesse dia cheio de simbolismo, meu pai padece, infartado, em um hospital de Veneza, na Itália, vejam vocês onde o destino enfiou meu velho. Minha irmã já partiu para lá, em nome dos outros dois filhos, para começar a trazê-lo, felizmente vivo, de volta para casa. Por enquanto, conta apenas, meu pai, com o carinho infindável de minha madastra, Sonia. E com meu coração de filho saudoso, doído de tão apertado.

Louco por Café - Capa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A convite da Editora Senac do Distrito Federal, fiz uma imersão no mundo dos adoradores de café para escrever um livro sobre o calabrês Antonello Monardo, dono da mais importante e reverenciada marca de café consumida nos melhores bares e restaurantes de Brasília. Com Antonello – e por causa dele – tomei litros de café, não sem antes presenciar todo o processo de seleção e torrefação dos finíssimos grãos que ele manda trazer do sul de Minas Gerais. Aliás, onde se planta, segundo ele, o melhor café do mundo. Também participei de um curso de barista para entender os detalhes da preparação de uma boa xícara de café. Mais do que isso, a trajetória de Antonello Monardo foi uma maneira de eu empreender uma pesquisa saborosa, em todos os sentidos, sobre essa bebida tão brasileira, mas sobre a qual nós, brasileiros, conhecemos e entendemos tão pouco.

Essa imersão me fez aprender, por exemplo, que essa história de o café colombiano ser o melhor do planeta é puro marketing. E que muito do café que se consome no Brasil é uma porcaria misturada com pedra, palha e insetos. O livro foi totalmente ilustrado por Luigi Pedone, professor de ilustração do Espaço Cultural Renato Russo. As imagens das receitas preparadas por Antonello foram feitas pelo fotógrafo Daniel Madsen. Esse será meu quarto livro pela Editora Senac-DF, com quem mantenho uma ótima e criativa parceria. Será o primeiro bilíngue, uma vez que também será lançado em italiano, com tradução feita pelo próprio Antonello Monardo.

Então, na próxima quarta-feira, dia 23 de setembro, quem estiver em Brasília, está convidado a participar do lançamento de “Louco por Café – Antonello Monardo”, no Café Cultural da Caixa, na quadra 4 do Setor Bancário Sul. O evento será às 19 horas.

Espero vocês por lá.

Equipe do livro (esq. p/dir.): Leandro Fortes, Antonello Monardo, Luigi Pedone (ilustração) e Daniel Madsen

Equipe do livro (esq. p/dir.): Leandro Fortes, Antonello Monardo, Luigi Pedone (ilustração) e Daniel Madsen

Uni-vos!

Uni-vos!

Não tem mais “barriga” nos jornais brasileiros, ninguém é sequer advertido quando faz uma cagada. Só pode ser. Ou é má fé explícita. Essa matéria recente sobre Tião Viana, na Folha de S.Paulo, tirada do nada, é uma investigação jornalística enviesada, usada para encobrir uma óbvia encomenda editorial. A assessoria do senador já havia informado à repórter sobre o fato de o imóvel estar no nome da mulher dele. Mas aí aparecem os tais “especialistas” convocados, sistematicamente, para dar suporte às chifradas jornalísticas dessa que ainda se intitula “grande imprensa”.

 Olhem o trecho da chamada do portal UOL, do qual sou assinante, e, por isso, cobro duplamente:

 “A assessoria do senador alegou que o terreno não foi declarado à Justiça Eleitoral porque pertencia à sua mulher, Marlúcia Cândida Viana. Mas, como o senador é casado em regime de comunhão total de bens, o imóvel pertence aos dois, segundo tributaristas ouvidos pela Folha.”

O que significa isso? A interpretação ocasional de tributaristas como mecanismo para se montar um escândalo! Não nutro nenhuma simpatia pelo senador Tião Viana, tão novo e já deslumbrado com a chaga do patrimonialismo, a ponto de ter dado à filha, em viagem de férias ao México, um celular do Senado para que ela gastasse à vontade. Coisa, aliás, que ela levou a sério: a conta foi de 14 mil reais, só ressarcidos aos cofres públicos porque a mordomia foi descoberta. Isso, no entanto, não justifica o exercício de um certo tipo, este sim, escandaloso, de jornalismo, cada vez mais difundido como normal e corriqueiro. E é coisa diária, diuturna, que despreza a inteligência alheia, o poder da internet, a capacidade de reação dos leitores e dos jornalistas, estes, culpados em última instância.

A canalha é de jornalistas, não de patrões, é preciso que se diga. Quem faz o trabalho sujo nas redações não são os donos dos meios de comunicação, são os jornalistas. O problema é que as redações, hoje, têm gente demais disponível para fazer qualquer coisa. Vive-se a primazia da má fé e louva-se a inversão dos valores como condição primordial à sobrevivência dentro do mercado. Não é verdade. É possível ser jornalista e trabalhar em qualquer lugar sem se submeter ao mau-caratismo. Arriscado, mas possível.

O pior é que nós, jornalistas, temos uma arma institucional com alto potencial de marketing corporativo, a cláusula de consciência do Código de Ética, mas a coisa virou letra fria. Tinha que ter uma campanha dos sindicatos e da Fenaj, dentro das redações, com o slogan “Isso eu não faço!”. Para o jornalista novo, o foca, o repórter que está angustiado se sentir apoiado pela categoria. Para dizer, sem medo: isso eu não faço porque é ilegal, é imoral, é desrespeitoso, é injusto, é antijornalístico, enfim.

A internet abriu uma perspectiva sem limites para se fazer alguma coisa de concreto, além de expor esse estado de coisas na blogosfera, que já é uma coisa sensacional. Eu queria muito que todos nós, jornalistas do Brasil, pensássemos na possibilidade de criar um blog coletivo, jornalístico, independente, com receita publicitária capaz de fazer as coisas funcionarem. Para se posicionar acima dessas figuras que aí estão, cheias de cargos, títulos honoríficos e salários polpudos, mas incapazes (ou capazes até demais) de entender o valor agregado da blogosfera e o potencial crítico – e realmente jornalístico – do mundo virtual.

As grandes estruturas de comunicação do Brasil têm dinheiro, crédito, pessoal e equipamento, mas, apesar de toda essa vantagem, estão aprisionadas por compromissos políticos e econômicos cada vez mais restritos. Ficam assustadíssimas, contudo, com a capacidade que a internet tem para tornar explícita essa relação e, mais ainda, colocar a nu o mundinho autista e auto-referencial no qual estão encapsuladas. Um mundo onde repórteres e colunistas escrevem uns para os outros, se auto elogiam e compartilham vaidades ensaiadas, numa tentativa patética de se parecer com quem lhes paga o salário. O resultado disso é um descolamento absoluto da realidade social, na qual se inserem de forma superficial e, por isso mesmo, descompromissada, como se fazer jornalismo fosse, como quer o STF, tarefa para qualquer um.

A Sociedade Americana de Revistas dos Estados Unidos calculou, no ano passado, que criar uma revista de papel e lança-la nacionalmente custa cerca de 15 milhões de dólares por mês. Uma, na web, sai por 100 mil dólares. Essa relação não deve ser muito diferente no Brasil. Talvez seja até mais barato. Entre 1976 e 1983, jornalistas do Rio Grande do Sul, jogados no desemprego por se posicionarem contra a ditadura militar, fundaram e tocaram o Coojornal, uma experiência jornalística corajosa e altamente profissional, baseada no cooperativismo. Talvez seja a hora de pensarmos em algo semelhante, antes que só restem maus exemplos – embora, dizia Santo Agostinho, sejam esses os melhores exemplos para quem se disponha a aprender, verdadeiramente,  a diferença entre o bem e o mal.

Recebi, esta semana, a seguinte mensagem, por e-mail:

Leandro Boavista Fortes
CARTA CAPITAL – SP

Caro (a) Leandro Boavista Fortes,

Parabéns! Você está entre os indicados do Prêmio Comunique-se 2009 e já pode se sentir um vencedor.

Como você sabe, o Prêmio Comunique-se é o único em que os jornalistas são indicados pelo voto dos próprios colegas, ou seja, aqueles que mais entendem de jornalismo.

A cerimônia de entrega será no dia 29 de setembro, uma terça-feira, em São Paulo, e mais uma vez reunirá a nata do jornalismo e da comunicação. A premiação é uma grande festa, uma oportunidade única de se reunir com colegas dos principais veículos de comunicação.

Escolha agora mesmo os finalistas do Prêmio Comunique-se 2009 clicando aqui.

Nos vemos lá e boa sorte nesta nova etapa de votação!

Abraços,

Rodrigo Azevedo
Presidente – Comunique-se

Para minha surpresa e felicidade, colegas de todo o Brasil me indicaram para concorrer em duas categorias (repórter de mídia impressa e jornalista político) do Prêmio Comunique-se 2009. O fato de trabalhar na CartaCapital, um barco pequeno e valente que só rema contra a maré, faz dessas indicações um ato mais do que relevante, porque, normalmente, reservadas a repórteres de tradicionais jornalões e semanais de monumental circulação. A todos que me indicaram, portanto, a minha enorme gratidão pelo reconhecimento.

Então, se você é jornalista e passou por esse blog, aproveite para ir no site do Comunique-se votar em mim, porque, como todos sabemos, a vaidade do jornalista é uma doença que não se cura só com xarope e sermão!

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